Classificação de Temas de Dissertação Por Assunto
(em ordem alfabética)
Obs: Os links em cada assunto referem-se a artigos de política econômica que podem servir de motivação ou de fonte de idéias para dissertações. Cada link leva a uma seqüência de artigos disponíveis da home page original sob a rubrica “Artigos de Política Econômica“. Outras referências podem ser obtidos na série de Working Papers (Ensaios Econômicos) ou de Peer-Reviewed Papers, ambos com links na home page original (http://www2.fgv.br/professor/rubens/). Os links por assunto são:
1- Monetary Economics, Inflation (Economia Monetária, Inflação)
2- National Accounts, Public Finance (Contabilidade Macroeconômica, Finanças Públicas)
3- Exchange Rate and Balance of Payments (Brazil) (Taxa de Câmbio e Bal. De Pagamentos)
4- Growth (Crescimento Econômico)
5- State Reform (Reforma de Estado)
6- Cycles, Crises and Stabilization Plans (Conjuntura Econômica)
7- Foreign Economies (Economias Externas, Economia Mundial)
8 - Income Inequality, Poverty, Violence (Distribuição de Renda, Pobreza, Violência)
9 - Economic Forecasts (Previsões Econômicas)
10 - Regional Economy (Economia Regional)
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Seguem abaixo as sugestões por cada área de pesquisa:
XI – Novos Tópicos para pesquisa 2010
X – Contabilidade Macroeconômica e outros Tópicos em Macroeconomia (Macroeconomic Accounting and Other Topics in Macroeconomics)
IX – Copom e Política e Metas de Inflação (Copom (Open-Market Committee)) and Inflation Targeting in Brazil
1- Análise da Política Monetária do Brasil no Século XX: Mostrar a sua correlação com o nível de preços e analisando os diferentes episódios de estabilização. Ponto de partida: “An Overview of Some Historical Brazilian Macroeconomic Series and Some Open Questions”, Rubens Penha Cysne, Ensaios Econômicos EPGE no.592, 01/2005. Uma das questões a serem encaminhadas com os dados: apenas os juros são importantes para o controle da inflação de longo prazo, ou o Banco Central deve necessariamente manter um olho na expansão monetária? Os gráficos apresentados no trabalho citado são bastante sugestivos neste sentido. Há também de se estimarem as elasticidades produto e juros de longo prazo, podendo-se para isto usar Mínimos Quadrados Dinâmicos (Stock, J.H. and Watson, M. 1993. A Simple Estimator of Cointegrating Vectors in Higher Order Integrated systems. Econometrica, 61, 783-820.) ou Fully Modified OLS (Phillips, Peter and Hansen, Bruce, 1990. Statistical Inference in Instrumental Variables Regressions with I(1) Processes. Review of Economic Studies, 57, 99-125.)
2- Avaliação da Política Recente da Política de Metas de Inflação e da Elevação dos Juros do Copom: O gráfico anexo mostra a evolução da variação mensal do IPCA (índice relevante para a política de metas de inflação) desde 2002:

Ilustração 1
Observe que houve uma elevação da inflação a partir de maio de 2002, outra, menor, a partir de setembro de 2003 e outra, ainda menor, a partir de setembro de 2004. Evidentemente, tais séries refletem um evento único, que já incorpora a reação do Banco Central, através da fixação da taxa do Copom. A contrafactualidade (qual teria sido a evolução da inflação se o Banco Central não tivesse elevado os juros) precisa ser estabelecida econometricamente, através de um modelo dinâmico. Os objetivos da tese são:
a- Analisar quais fatores determinaram as pressões inflacionárias em cada um destes períodos, em particular argumentando se se tratavam de fatores temporários (como choques de oferta ou desvalorizações do câmbio nominal ocorridas em períodos anteriores) ou de fatores mais duradouros (como, por exemplo, uma expansão monetária acima daquela compatível com as metas);
b- Avaliar se a resposta do Banco Central foi adequada em todos os casos ou, como se argumenta em algumas análises, relativamente a 2005, houve exagero na dosagem.
Metodologia Preliminar: Construção de modelos contra factuais (VAR-VEC-FAVAR) de séries temporais e, possivelmente, também um modelo estrutural. Avaliação dos modelos usados pelo Banco Central à luz de diferentes escolas de pensamento; estudo detalhado as atas do Copom etc.
VIII – Corrupção, Pobreza, Violência, Criminalidade e Distribuição de Renda no Brasil (Corruption, Violence and Criminality in Brazil)
1- A Globalização Eleva a Violência?
Idéia: O objetivo deste estudo não é avaliar quais as variáveis que explicam o crime e a violência, mas sim determinar se uma correlação entre violência e abertura comercial, após controle estatístico por variáveis possivelmente mais relevantes (como repressão policial etc.) pode ser empiricamente estabelecida no caso brasileiro. Sabe-se que a violência se eleva com a elevação de desigualdade de renda (referências bibliográficas disponíveis como o professor). Por outro lado, política comercial influi na distribuição de renda (referências disponíveis como o professor). Em particular, a abertura pode contribuir para a piora da desigualdade através do argumento a seguir (a ser investigado empiricamente no Brasil usando dados a partir de 90, em particular a relação entre salários da mão de obra com terceiro grau e de segundo grau):
Argumento: a quase renda apropriada pelas indústrias protegidas costuma ser distribuída, em parte, aos trabalhadores não qualificados, baixando a relação entre salários da mão de obra qualificada em relação a não qualificada (pense no ABC paulista). Com a abertura ao comércio, a competição reduz esta quase renda, e eleva a razão entre salários de trabalhadores com e sem terceiro grau.
Modelagem – Referências com o professor
Dados necessários – relação de salários com e sem terceiro grau, variáveis de abertura e violência etc.
Instrumental Estatístico – Cointegração e outros.
Doutorado – A modelagem e estudo empírico deste fato podem se constituir em um de três ensaios independentes de uma tese de doutorado.
Relevância – Alta, em particular, para o Brasil.
Implicações de Política Econômica – Como a abertura reduz a relação capital produto e propicia ganhos agregados para o país, a tese de que comércio piora a distribuição de renda, se comprovada, não implica a necessidade de reduzir a abertura, mas sim a necessidade de distribuir adequadamente os ganhos de comércio. Ou seja, a abertura deve se fazer acompanhar de políticas públicas de fomento à educação.
2- Micro-crédito no Brasil
O mercado de crédito difere do mercado de bens de consumo ( laranjas, por exemplo) em um sentido óbvio: apenas no segundo as transações podem sempre ser liquidadas em um único ponto do tempo. Isto posto, se a demanda é superior à oferta, eleva-se o preço. No mercado de crédito tal regra de bolso não é tão clara, pois aqueles que estiverem dispostos a pagar preços maiores podem também estar a indicar uma maior probabilidade de inadimplência no futuro. A consequência desta assimetria de informação, que pode gerar seleção adversa ou azar moral, ambos exemplificados acima, em termos ex-ante e ex-post, respectivamente, é fazer com que o mercado possa equilibrar-se com um ineficiente excesso de demanda.
Cabe ao governo prover meios de contornar esta imperfeição de mercado.
Duas formas de atacar o problema são:
a) Do ponto de vista do governo (através de regulamentação, ou diretamente): disponibilizar maiores informação sobre os devedores e criar meios de monitoramento por pares (fiança coletiva).
b) Do ponto de vista dos credores: exigir garantias, como, por exemplo, concomitantes depósitos de poupança.
No caso do microcrédito, ambas ações são mais difíceis, respectivamente, pela maior capilaridade na demanda e pelo fato de o poder aquisitivo daqueles que demandam microcrédito em geral não permitir a disponibilidade de garantias reais (colaterais).
Isto posto, há necessidade de atenção ainda maior de ação do governo sobre este setor.
Uma referência inicial para a pesquisa pode ser a interessante tese de Cristina Tauaf Ribeiro ” Do Crédito às Microfinanças: Desempenho Financeiro, Dependências de Subsídios e Fontes de Financiamento: Uma Contribuição à Análise da Experiência Brasileira, PUC-SP”. A tese se inicia incluindo uma síntese das idéias de Stiglitz (e coautores) sobre o assunto. Em seguida, analisam-se os programas bem sucedidos da Indonésia (Banco Rakyat) e da Bolívia (Bancosol, ou Banco Solidariedade). O caso brasileiro é descrito em detalhes.
Cristina Tauaf mostra que, no Brasil, houve iniciativas neste sentido de Organizações não Governamentais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) (por exemplo, a Vivacred, no Rio de Janeiro, em 1996), de entidades associativas de direito privado sem fins lucrativos (Programa de Apoio ao Segmento de Microcrédito do SEBRAE, de 2001), de organizações regionais (Programa “Crediamigo” do Banco do Nordeste, de 1997), de governos locais (Banco do Povo paulista), federais (Programa de Crédito Produtivo Popular, do BNDES, e o Banco Popular), do setor privado com fins lucrativos (o microcrédito provido pelas Sociedades de Crédito ao Microempreendedor, reguladas pela Lei 10194, de 2001) e de sociedades de natureza civil sem fins lucrativos (Cooperativas de Crédito). A autora chama a atenção para o fato de as Cooperativas de Crédito terem um papel importante no contexto do microcrédito, por serem a única instituição, dentre aquelas mencionadas acima, autorizadas a captar depósitos à vista do público.
São idéias de pesquisa neste importante área:
a) uma requantificação da demanda por microcrédito (Nichter abordou o assunto em estudo do BNDES de 2002);
b) uma mensuração dos ganhos de crescimento e de bem estar decorrentes de um programa bem sucedido neste sentido;
c) Vários modelos na literatura ligam crédito a crescimento e bem estar. Uma idéia seria utilizar um destes modelos para gerar outro com segmentação do mercado em duas partes, uma com maior e outra com menor assimetria de informação. Próximo, estudar como o governo poderia prover incentivos para que recursos alocados no setor de menor assimetria líquida e maior possibilidade de existência de colaterais pudessem ser utilizados otimamente para resolver os problemas setor de maior assimetria e colaterais mais modestos. A idéia normativa subjacente é que tais incentivos possibilitariam uma maior inserção do setor bancário tradicional e das cooperativas de crédito na alocação de microcrédito, sem a necessidade de se criarem instituições públicas para tal fim.
d) A formalização e estudo do chamado “aval solidário” do ponto de vista de superjogos. O aval solidário é uma espécie de peer-review e peer-control na concessão de empréstimos, onde o crédito não pago efetuado a um dos membros do grupo impede os demais de obter novos créditos. Por exemplo, como varia o número ótimo de pessoas do grupo em função da taxa de desconto intertemporal?
3- Favelas e Incentivos
O ponto de partida para esta pesquisa pode ser o artigo Queremos mais Favelas?, de autoria de Aloisio Araújo, da EPGE/FGV, que pode ser encontrado nesta home page no link “artigos publicados em 2005″. O artigo, publicado no Jornal do Brasil em 28/12/2005, critica os incentivos diretos de construções nas favelas (dos quais seriam exemplo o Favela Bairro e a distribuição de títulos de propriedade) e sugere alternativas.
Economicamente, o problema se assemelha à questão dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Sua regularização tem a vantagem de incorporar vários cidadãos na economia, de forma mais eqüitativa com os demais. Por outro lado, incentivam-se novas ondas de imigração ilegal. No caso das favelas, novas construções ilegais. O trade-off estabelece uma interessante idéia de pesquisa. Um ponto de partida seria utilizar o instrumental já usado por vários economistas para analisar ao problema da imigração ilegal, adaptando-o à questão das favelas.
VII - Crescimento (Growth)
VI- Dívida Pública e Dívida Externa (Public Debt and Foreign Debt)
V – Imposto Inflacionário, Transferências Inflacionárias e Custos de Bem-Estar da Inflação (Inflation Tax and Inflation Transfers to Commercial Banks and Welfare Costs of Inflation)
1- Bancos Privados, Bancos Públicos e a Queda da Inflação em 1994: Estender o paper inicial Cysne e da Costa (Reflexos do Plano Real sobre o Sistema Bancário Brasileiro. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 51,nº3, 1997) utilizando dados da última década. Veja, a respeito o file anexo de reportagem da Folha de São Paulo do dia 27 de Novembro de 2005, Lucro de banco quase dobra entre 96 e 2005.
2- Mensuração dos Custos de Bem Estar da Inflação: Utilizar a fórmula fechada para o cálculo dos custos de bem – estar da inflação apresentada por Cysne (A general-equilibrium closed-form solution to the welfare costs of inflation. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 59, nº2 abr/jun, p. 210-214) para medir os custos de bem estar da inflação recentes no Brasil e em outros paísees. Comparar com a fórmula de Bailey e mostrar que a de Bailey superestima os custos de bem estar. A elasticidade juro de longo prazo, pode ser estimada, assumindo-se a existência de cointegração entre encaixes reais, produto e juros, através de OLS ou, em havendo correlações na forma diagonal de Phillips, utilizando-se Mínimos Quadrados Dinâmicos (Stock, J.H. and Watson, M. 1993. A Simple Estimator of Cointegrating Vectors in Higher Order Integrated systems. Econometrica, 61, 783-820.) ou Fully Modified OLS (Phillips, Peter and Hansen, Bruce, 1990. Statistical Inference in Instrumental Variables Regressions with I(1) Processes. Review of Economic Studies, 57, 99-125).
IV – Planos de Estabilização (Stabilization Plans)
1- Real Plan and Inflation Targeting: The End of the Brazilian Inflation?: Thomas Sargent escreveu um artigo chamado “The End of Four Big Inflations”. Escrever tese chamada “The End of a Fifth Big Inflation?”, analisando o Plano Real (e, possivelmente o PAEG, em contraposição) sob o ponto de vista teórico da argumentação utilizada por Sargent. Prover diferenciação para análise de inflação crônica e aguda.
III – Finanças Internacionais e Política Cambial (Exchange-Rate Policy)
1- Análise dos Fatores Determinantes dos Ratings e dos Prêmios de Risco na Dívida Externa.
A- Aspectos Gerais
I – Definição, Fundamentos e Metodologias de Cálculo.
II-Aspectos Macroeconômicos do Risco País: Variáveis de Causa e de Controle
III-Aspectos Políticos do Risco País: Ciclos políticos, populismo, concentração de renda, integração social, economia informal.
III – Caso Brasileiro – Evolução Recente e Comparação com a Experiência Internacional.
IV-Aspectos Institucionais do Risco País: Papel das instituições na previsibilidade das principais variáveis macroeconômicas, credibilidade orçamentária etc.
V-Risco País e Concentração da Pauta de Exportações. Origem das fontes de geração de receitas em moeda estrangeira – grau de flexibilidade e variabilidade.
VI – Análise de Heterogeneidades entre Países com Mesmo Ranking.
VII-Grau de controle do Governo sobre a Atividade Produtiva: Estatais, provisão de Crédito de Longo prazo e de infra estrutura: concentrada nas mãos do governo?
VIII – Aspectos Fiscais do Risco País: grau de vinculação de receitas fiscais, sistema previdenciário, concentração das receitas, custo da dívida interna e externa como percentual das receitas.
IX-Formação de Capital: investimentos e poupança do setor público.
B- Concentração de Pesquisa
São várias as possíveis abordagens de pesquisa do tema acima descrito. Uma delas, que permitiria utilizar resultados da nova literatura de comércio internacional (ver lista de leitura do curso de tópicos de macro e comércio na Home Page) analisa o risco sob o ponto de vista apenas da concentração da pauta de exportações (imagine, por exemplo, o caso de uma febre aftosa no caso de um país em que uma elevada parcela das exportações é de gado de corte – isto deveria afetar o risco país?).
Outras possíveis abordagens concentram-se especificamente em aspectos específicos dos tópicos listados acima.
As referências bibliográficas e as fontes de dados podem ser obtidas, em cada caso, com o professor.
2 - Pró-ciclicidade e Determinação do Rating Soberano: Uma análise com Markov Switching:
Descrição: Utilizar um modelo de Markov Switching (MS) para explicar os ratings soberanos providos pelas agências de rating. A idéia decorre do trabalho “Are credit ratings Procyclical?”, de Jeffery D Amato and Craig H Furfine, que usam um modelo Probit ordenado e mostram que, quando as agências de rating reclassificam algum agente, o fazem de maneira procíclica, majorando as dificuldades de obtenção de crédito em momentos de recessão. Cabe considerar neste sentido também o trabalho de Altman, E I and D L Kao (1992): The implications of corporate bond rating drift., New York University Salomon Brothers Center Working Paper, no S-91-51, que mostra que os ratings costumam apresentar correlação serial.
As variáveis do modelo de Markov Switching seriam as mesmas utilizadas no trabalho de Determinants and Impact of Sovereign Credit Ratings, de Richard Cantor and Frank Packer , mas ao invés de se utilizar OLS, utilizar-se-iam dois estados da natureza, o de recessão e o de maior atividade econômica, de forma a levar em conta a prociclicidade.
Motivação: Como os spreads de mercado reagem às agências de rating, antecipar tal movimento da parte das agências pode implicar grandes ganhos para instituições financeiras. Cantor e Parker fizeram um trabalho interessante para explicar os ratings (há também trabalho de aluno da EAESP sobre o assunto), mas não levaram em consideração a prociclicidade medida por Jeffery D Amato and Craig H Furfine.
Fontes de Dados: S&P CreditPro database e outras (ver com o professor).”
3- Correlação entre Risco País e Taxas de Câmbio: modelar e documentar empiricamente, para diferentes países com câmbio flexível, a possível correlação entre taxas de câmbio e risco país.
4- Overshooting do Câmbio em 2002: Modelar e explicar empiricamente porque a taxa de câmbio brasileira teve um overshooting em 2002/4. O argumento de overshooting do Dornbusch aplica-se aqui?
5- O Brasil sofre de doença holandesa (Dutch disease)?:
Em economia, o termo “Doença Holandesa” refere-se um processo de redução de crescimento gerado pela descoberta de novos recursos naturais exportáveis que, em função da abundância de divisas externas, valorizem a taxa de câmbio real e prejudiquem o crescimento e os aporte de novas tecnologias pelos setores exportadores tradicionais.
Alguns economistas têm argumentado que a abundância de recursos externos e a conseqüente queda de preço do Real tem reduzido ou reduzirá ainda mais o crescimento brasileiro, em função da migração de capital e mão de obra dos setores produtores de bens exportáveis, onde os ganhos de produtividade são potencialmente maiores, para os setores produtores de bens não transacionáveis, onde o “learn by doing” não seria tão intenso.
A receita dada pelos analistas de plantão seria a compra de divisas pelo Banco Central, de forma a impedir a valorização adicional do Real e, desta forma, proteger os setores exportadores de um possível declínio.
O objetivo da tese é discutir a pertinência desta prescrição de política econômica, ou sugerir medidas alternativas para resguardar os ganhos de produtividade no setor exportador. O artigo anexo em pdf (“Doença Holandesa ou Comércio Insuficiente ?”) dá mais detalhes e sugere medidas alternativas à intervenção do Bacen no mercado de câmbio. Algumas referências acadêmiocas sobre o assunto são:
Krugman, P. (1987) “The narrow moving band, the Dutch disease, and the competitive consequences of Mrs. Thatcher: notes on trade in the presence of dynamic scale economies.” Journal of Development Economics
37: 41-55.
Matsuyama, K. (1992) “Agricultural productivity, comparative advantage and economic growth.” Journal of Economic Theory 58: 317-334.
Sachs, J.D. and A.M. Warner (2001) “The curse of natural resources.”
European Economic Review 45: 827-838.
Torvik, R. (2001) “Learning by doing and the Dutch disease.” European Economic Review 45: 285-306.
Torvik, R. (2002) “Natural resources, rent seeking and welfare.” Journal of Development Economics 67: 455-470.
van Wijnbergen, S. (1984) “The ’Dutch disease’: a disease after all?”
Economic Journal 94: 41-55.
6- Como Medir a Eficiência das Agências de Rating? (Postada em 19 de Abril de 2006)
Uma medida do grau de eficiência de uma agência de rating em apurar probabilidades relativas de default pode ter várias definições. A mais imediata é comparar, historicamente, o default de cada grupo, mostrando que agentes ranqueados negativamente tiveram mais default do que aqueles ranqueados positivamente. Bathia (2002, Sovereign Credit Ratings Methodology”, IMF Working Paper) discute outras medidas deste ponto, de caráter mais absoluto, não comparativo (ou seja, inter-grupos). Se houvesse uma avaliação correta da probabilidade de default, trabalhar-se-ia com a diferença entre a probabilidade implícita pela classificação da agência e esta probabilidade “correta”. Mas tal parâmetro não existe. Por outro lado, se houvesse uma medida “forward looking” comprovadamente melhor, tomar-se-ia a diferença em relação e esta medida. Mas aí também há a dificuldade da existência comprovada (o prêmio de mercado seria tal medida? Porque? Mas neste caso os ratings não Granger-causariam tal prêmio, o que já se evidenciou empiricamente). Por último, poder-se-ia analisar o passado, como se menciona ao início deste parágrafo, caso que se presta mais à análise corporativa do que à análise de risco soberano. Isto porque para se ter um mínimo e confiança estatística há necessidade de se analisar um grande número de casos, o que é difícil no caso de default soberano.
Bathia propõe a instabilidade dos ratings, ao longo do tempo, tomada em relação ao que seria razoável, em função da evolução natural dos acontecimentos políticos e econômicos, como uma medida de (in)eficiência das agências.
A idéia da tese é discutir estas e outras alternativas para mensuração de eficiência (Mestrado). Uma idéia ainda não explorada é medir o grau de independência entre tais agências. A eficiência do sistema como um todo deveria ser função crescente de tal independência. Se houvesse um número muito grande de agências, o desvio do rating em relação às demais também poderia ser uma medida de ineficiência? V poderia elaborar um modelo para formalizar e mensurar estes ponto (Doutorado)?
II - Reforma de Estado, Reforma Financeira, Defesa da Concorrência, Regulação, Privatização, Concessões e etc… (State Reform, Financial Reform, Antitrust Policy, Privatization, Concessions etc…)
1- Terceirização ou Aumento de Eficiência? Mostrar que os supostos ganhos de eficiência de algumas estatais brasileiras na verdade não traduzem ganhos de eficiência, mas sim terceirizações. Referências com o professor.
2- Defesa da Concorrência no Brasil Após 1994: Analisar os casos de Defesa da Concorrência no Brasil sob a ótica macroeconômica, mostrando que muitas vezes a existência de outras distorções na economia pode levar a uma queda de bem estar em função da atuação da política anti-truste.
O objetivo aqui é relembrar que, ao cuidar das árvores, não se deve perder de vista a saúde da floresta. Exemplo: a atuação Antitruste em alguns casos pode impedir os ganhos de escala necessários para a concorrência nos mercados externos. Isto não seria problema se o mercado de capitais brasileiro fosse perfeito, sem distorções. Mas estamos longe disto. Isto posto, maior defesa da concorrência pode ser nociva (ou não).
A existência de inúmeras outras distorções na economia brasileira, aliada à precariedade de recursos à disposição do CADE (independentemente do elevado nível técnico dos profissionais que ocupam cargos nesta autarquia), sugere que uma boa parte dos processos concorrenciais que chegam ao SBDE (Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência) deveriam ser simplesmente arquivados. Em particular, devido à dificuldade, em virtude do exposto acima, de se diferenciar o sinal do ruído.
Referências:
1- CYSNE, Rubens Penha. Comentários sobre Defesa da Concorrência no Brasil. Revista Brasileira de Economia, Brasil, v. 52,nº0, p. 147-160, 1998.
2- Lypsey and Lancaster (1968): The Economics of the Second Best.
3- Gama. Marina Moreira da, (2005) “Teoria e Práxis da Defesa da Concorrência no Brasil”. Tese de mestrado defendida no Cedeplar em 2005.
Obs:
1- Lysey and Lancaster é de leitura importante para qualquer economista.
Disciplina os clichês da oratória liberal desentendida e impõe (ou, pelo menos, deveria impor) modéstia a agências regulatórias, estas necessariamente calcadas em objetivos parciais.
2- Gama (2005) é um bom ponto de partida para a análise proposta aqui. A tese analisa, sob o ponto de vista econômico, baseando-se no voto do Conselheiro Relator, 330 dos 4130 processos julgados pelo CADE entre 1994 e 2004.
3 – Mostrar porque a relação preço/custo não reflete adequadamente práticas não concorrenciais. Já existe demonstração deste ponto baseada em superjogos. Mas há outra alternativa, talvez mais interessante, também usando teoria dos jogos, ainda não utilizada. Dados com o professor.
